sexta-feira, 7 de setembro de 2018

O Fogo não destruiu a Biblioteca de Alexandria - Ensaio Literário


Há mais de 2000 anos Alexandre o Grande, aluno de Aristóteles, teve a ideia de fazer um império do conhecimento em uma de suas cidades no Egito. Em Alexandria começou a missão mais extraordinária que a humanidade poderia fazer: coletar todo o conhecimento do mundo em um só lugar.


Assim nasceu A Biblioteca de Alexandria. O lar para as maiores mentes do mundo clássico. Porém no final do século V ela desapareceu… Muitos acreditam que ela foi destruída por um incêndio desastroso…. E hoje, infelizmente, não fazemos a menor ideia de como era a Biblioteca. Não sabemos quão bela a sua arquitetura meio grega e meio egípcia deveria ter sido. Sabemos que ela tinha salas de aulas e diversos espaços dedicados ao saber. E sabemos que os governantes que fundaram e desenvolveram o projeto pagavam por qualquer custo de estudo dos pensadores que eram convidados para aumentar e melhorar a biblioteca.


A Biblioteca de Alexandria possuía centenas de milhares de livros. E graças a esse centro de estudo Herão de Alexandria criou a primeira máquina a vapor da humanidade, 1000 anos antes da revolução industrial; Eratóstenes descobriu, não apenas que a terra era redonda como acertou o tamanho dela com uma margem de erro menor que 0.2%, e inventou a matéria Geografia; Aristarco de Samos foi o primeiro a propor que a terra gira ao redor do Sol, Calímaco criou a Biblioteconomia, Herófilo tornou-se o primeiro anatomista e criou a base pra medicina. E Hipácia se tornou a primeira mulher matemática da história. E muitos outros avanços pra Humanidade foram feitos… Não só para os gregos e egípcios, todavia para o mundo.


Porque como disse Goethe “Não existe arte patriótica nem ciência patriótica. Ambas pertencem, como todo sublime bem, ao mundo inteiro, e só podem ser fomentadas pelo intercâmbio geral e livre de todos os simultaneamente vivos, em constante respeito pelo que nos foi transmitido e nos é conhecido do passado.”


Já foi dito que Júlio César ao incendiar os barcos do porto de Alexandria durante uma batalha teria queimado a biblioteca. Mas os historiadores sabem que, séculos posteriores ao ataque de Júlio César, pensadores continuaram a usar a biblioteca… Porém com o tempo o governo passou de grego para romano, de romano para cristão, e por fim, de cristão para muçulmano.


E cada novo governante considerava o lugar uma ameaça ou algo que não merecia respeito, algo para ser odiado. Lembra Hipácia a primeira mulher matemática? Durante o governo cristão ela teve a pele cortada, os braços e pernas arrancados, e o que sobrou do corpo foi queimado na igreja porque estudava coisas gregas e alguns achavam que isso era coisa do diabo. Depois no governo muçulmano o califa Omar teria dito “Se os livros estão em concordância com o Alcorão, a gente não precisa deles; E se eles se opõe ao Alcorão pode destruir!”.


Todos os milhões de itens acumulados pelas grandes mulheres e homens do passado para a Biblioteca de Alexandria hoje estão completamente perdidos. Assim como a Biblioteca de Alexandria nossos museus, bibliotecas e centros de estudo não são brasileiros, gregos ou egípcios. São da humanidade. E enquanto existir governantes com a Crença insolente de que a História é ultrapassada e irrelevante. Enquanto existir pessoas com medo das que estudam. Enquanto não estudarmos pelo nosso bem e pelo bem do próximo… O mundo vai queimar.



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